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ês quiz

24 de mar. de 2015
2 min de leitura

Ao colocar atenção no calendário religioso de Minas Gerais, tomei tino para a consistência da rota anual de saudação ao divino. Me programei e visitei vários e diferentes festejos, todos com uma força imensa. Fui tão sensibilizado que senti a necessidade de fazer uma festa também. Festa para saudar a divindade dos meus antepassados. E assim nasce ÊS QUIZ (eles quiseram). Uma performance cênico/musical criada para dez artistas dançantes, tocadores e cantadores, que teve estreia no ano de 2007, na cidade de Belo Horizonte. Uma intervenção na alameda central da praça da Liberdade em frente ao Palácio do Governo; sob o céu, ao ar livre.

Impregnado pela força simbólica dos festejos dedicados à Nossa Senhora do Rosário, me coloquei como instrumento de concepção, um facilitador para a aparição de personagens. A preparação desta performance se deu como um alinhamento de destinos. Em estado de dilatação do imaginário, convidei o músico Sérgio Pererê e a cantora Júlia Ribas para falarmos de impressões sobre os cortejos do Rosário e do Reinado Mineiro. Depois desta conversa foram chegando os outros artistas, e juntos fomos aos poucos materializando coreografias. Pererê usou seus dons de tocar e de inventar percussões e melodias, nos levando a um estado de dança muito intenso. E eu conduzia as experimentações. Naquele momento participaram da criação original eu, Vanessa Assis, Priscila Pata, Elaine do Carmo, Cinthia Reyder , Dewson Mascote, Charles Davidson, Leonardo Peixoto, Júlia Ribas, Sergio Pererê (depois da estreia, nos anos seguintes, outros elencos participaram).

O resultado foi a materialização de um ritual!

Em torno de um mastro de madeira crivado de fotos de familiares, simbolizando uma antena entre mundos, o som de um tambor, de cordas de um charango, do tamborilar em cabaças, do atrito de enxadas, do chocalhar dos patangomes, do palmear das mãos, dos pés percutindo ritmos no chão ao mesmo tempo que eram entoadas cantorias, embalaram danças circulares e sinuosas que dilataram o ambiente de forma envolvente. Uma catarse classificada por Armindo Bião como - um deleite para os olhos e pra alma!

Nos bastidores tivemos Eduardo Ferreira, estilista Pernambucano que vestiu o elenco e o espaço cênico, Murillo Corrêa, que projetou e sonorizou o palco, Felício, um cenotécnico fantástico que construiu o mastro e estruturou um céu de fitas brancas que Edimar Pinto pintou com luzes, e Bete Arenque, a quem me refiro sempre com muito respeito e carinho como uma fiel companheira de estrada. Exercendo as funções de minha assistente de direção artística, de ensaiadora e de produtora executiva, ela e sua equipe organizaram tudo. Da feitura do projeto à captação de recursos financeiros.

Um momento muito lindo que se repetiu em várias cidades por alguns anos, e muitas vezes contando com a presença das comunidades visitadas durante o processo investigativo.

Foto: Guto Muniz

 
 
 

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