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ês quiz q'eu isse co ês ( eles quiseram que eu fosse com eles...)

25 de mar. de 2015
2 min de leitura

A ideia de construir leituras cênicas inspiradas na história e nas estéticas do imenso acervo de patrimônios imateriais das culturas afro descendentes, no contexto da Cia. SeráQuê?, existe desde sua criação no ano de 1993, e vêm sendo realizadas por equipes com olhar curioso e plural. Com a responsabilidade de direcionar os roteiros artíticos, na espuma dos dias, vou sendo tomado por sentimentos que geram o reconhecimento de que a história de qualquer individuo é muito maior do que se vê, mas também é muito menor do que se conta.

No ano de 2005, ao percorrer por festejos afro-religiosos que aconteciam nas periferias de grandes capitais e também de pequenas cidades interioranas do Brasil, observei uma cultura de resistência aos fenômenos da globalização. Encontrei na base da organização das festas, crianças, adolescentes, uma geração totalmente cibernética, colocando de forma muito peculiar, mas respeitosa, sua visão de mundo para pessoas mais velhas... quase rurais. E o contrário também. As trocas de saberes gerais e de tecnologias humanitárias ligadas à auto sustentabilidade, foram vistas por mim como uma generosa educação do espírito.

Em algumas destas ambiências vi atos divinos, religiosos e profanos, sendo praticados com um sincretismo transformador, realmente mágico. Percebi, que acompanhava um circuito onde a Fé era o elo entre as pessoas.

- fé (latim fides, -ei) - substantivo feminino; adesão absoluta do espírito àquilo que se considera verdadeiro.

Fui confrontado por minha incapacidade de enxergar no termo "simples", toda sua complexidade. Nesses ambientes, entendi a necessidade de uma vida comunitária, de compartilhamento; de promoção de práticas que enobrecem a humanidade. Observei hierarquias sendo radicalmente respeitadas. O mais novo tendo lugar parelho ao mais velho e ambos fazendo pontes entre os vários setores destas complexas comunidades. Nesses lugares, a família se ressignifica e os ancestrais próximos e distantes estão presentes mesmo depois da morte...

Foto: Guto Muniz

 
 
 

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