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Andar com fé eu vou...

26 de mar. de 2015
2 min de leitura

Compartilho aqui a memória de processos criativos que partiram da interrogação criativa estimulada pela pergunta - será que ?. Uma busca de identidade individual, coletiva e histórica, me leva a olhar pra trás e saudar do lugar em que estou (o presente), o que me foi dado pelos que me antecederam...

Para contextualizar este espaço, revisito lembranças de 2004, ano da última edição da bolsa artística oferecida pelo Instituto Vitae, que, desde 1987 contemplou projetos de pesquisa de renomados artistas brasileiros. Assessorado pela equipe de projetos da Associação SeráQuê? Cultural, Belo Horizonte - Minas Gerais, concorri propondo uma investigação estética e poética a festejos afro religiosos de Minas Gerais e fui contemplado.

O nome do projeto: Ês quis q eu isse co ês... (eles quiseram que eu fosse com eles).

Nomeei tal proposta a partir de sentimento adquirido em uma conversa na França, no ano de 2002, na cidade de Lyon, após realização e apresentação de um cortejo de rua. A equipe realizadora, formada por brasileiros e franceses, comentava sobre o processo de organização do evento, até que em bom "mineirês", meu amigo músico percussionista Guda soltou esta frase que acabou batizando meu projeto de pesquisa. Naquele contexto, o comentário foi uma forma de ressaltar a confiança e entrega de todas as pessoas envolvidas.

E foram muitas, entre homens, mulheres e crianças de todas as idades, reuniram-se aproximadamente quinhentas pessoas em Lyon e duzentos ou mais artesãos, que do nordeste brasileiro, Pernambuco, entre Recife e cidades do arredor, construíram e exportaram roupas e alegorias para tal evento intercontinental. Uma festa, um delírio, uma folia impulsionada pelo interesse sobre o intercâmbio de culturas. Em terras francesas através da representação de uma manifestação popular das ruas brasileiras, foi ressaltada a mestiçagem de povos, representada pelos signos e imagens do movimento Armorial (Ariano Suassuna). Durante o processo, entre problemas e soluções do gigantesco empreendimento, instaurou se uma sensação de fé muito intensa, uma crença além de limites e fora do habitual que, ao concluir nosso objetivo, justificou uma sensação de grande felicidade em todos os envolvidos.

Esta inabalável FÉ e os fenômenos provocados na alma e no comportamento das pessoas a partir deste sentimento, tornou-se foco de um complexo projeto de investigação estética, sóciocultural e artística que se estende até os dias de hoje.

 
 
 

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